Look at the stars,

Look how they shine

for…you,

And everything you do

“Yellow”, Coldplay
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🌟

The pain will leave once it has finished teaching you

… may we meet again…
🌟💛

quem me dera…

Quem me dera abraçar-te no outono, verão e primavera. Todos os outonos e todos os verões e todas as primaveras. Não me recordo se te abracei antes de ir de fim de semana prolongado. Sei que coloquei a minha mão sobre a tua barriga linda e disse um “até já” à nossa princesinha E.

Não caibo em mim de tanta tristeza e dor que sinto. E sei que não gostavas de ver ninguém assim. Deste-me força e coragem nos momentos mais difíceis que passei nestes últimos anos e a nossa cumplicidade era tão grande que bastava um olhar para nos percebermos. E adoravas cantar – terminavas as minhas frases com uma música, porque ali pelo meio havia alguma palavra ou expressão que te fazia cantar!

Agarrar-me a estas memórias não é assim tão simples. Custa-me acreditar que não te vou ver hoje, nem amanhã, nem depois. Quem me dera abraçar-te mais uma vez. Quem me dera. Um pedacinho do meu coração partiu contigo e, como disse um amigo, com o tempo aprenderei a sintonizar o teu amor, como se de ondas de rádio se tratasse. O tempo, dizem, cura (quase) tudo. Mas não torna a dor mais fácil de lidar. Enquanto me comprometo a ser forte, como tu sempre foste, apercebo-me rapidamente que essa tarefa é bem mais difícil do que dizer a frase ” tens de ser forte”. Desculpa, não consigo. Não agora. Quero arrancar esta dor do peito, que me sufoca e não consigo nem quero desapegar-me de ti.

Quem me dera abraçar-te todas as manhãs assim que entrasses na sala e todas as tardes antes de sairmos. Disse “adoro-te”, num sms rápido, para não te preocupares que tudo ia correr bem. Respondeste-me da mesma forma, e disseste que depois falávamos (percebo agora que não querias que ficasse alarmada). Para não te incomodar, não te liguei e a nossa conversa ficou adiada. Já não vou ouvir a tua voz, nem ver o teu sorriso, nem ver-te a dançar. Já não fizemos o jantar de inauguração da minha casa.

A nossa amizade ia mais além. Não partilhávamos laços de sangue, mas éramos irmãs, irmãs de coração. Tantos planos, tantos sonhos…

A pior parte da dor é que não conseguimos controlá-la. E o melhor que podemos fazer (e este é o melhor conselho que ouvi de todos – e aquele que também eu dou a todos os que estejam a sofrer) é permitir-nos sentir a dor quando esta chega. E depois deixar a dor partir quando conseguirmos. A pior parte deste processo é que, quando pensamos que já a ultrapassámos, começa de novo. E sempre que começa, ficamos sem fôlego.

A psicologia fala de cinco fases do luto: negação, raiva, negociação, depressão e aceitação. Sem qualquer ordem, sem qualquer duração pré-estabelecida. A aceitação é o ciclo final do processo de luto. Não há mais amargura, angústia ou negação. A perda recebe um outro olhar perante a vida e encontra, à sua maneira, a tranquilidade e o equilíbrio…

Para já… quem me dera… ❤

 

 

um dia…

Um dia há-de passar. A linha ténue do horizonte, desenhada por um traço de lápis azul celeste fosco, lembra-me a silhueta de uma onda gigante, que se aproxima para me castigar, afogando-me em mágoa, medos, incertezas e todo um turbilhão de sentimentos negros e densos. Um dia há-de passar. Tenho a certeza que esta ilusão de óptica é isso e apenas isso. Uma ilusão. Mas deixo-me arrastar pela praia, pesada, cansada desta vida, desejosa por não enfrentar o dia de amanhã. O dia que tarda, que parece não chegar. O dia que anseio que chegue logo, mas que tenho medo que passe e eu esteja de olhos fechados a dormir. A praia, deserta e árida, é o meu refúgio. Não quero estar com ninguém. Os raios de sol incendeiam-me as veias secas do meu corpo. E o meu corpo, sedento de tudo, cai prostrado na areia. Não reage aos impulsos que o meu cérebro lhe dá. Levanta-te e segue – mas o meu corpo não reage. Entrega-te, abre o teu coração – mas o corpo já não é meu. A onda gigantesca está mais próxima que nunca. Deitada com a face na areia quente, sinto as vibrações da onda a chegar. Um dia há-de passar. Não quero fechar os olhos. Esforço-me por não fechar os olhos. Aguardo, não serenamente, a chegada daquela onda. E das seguintes. E das que ainda não se formaram no horizonte. Um dia tudo há-de passar.

E eu espero ter-te sempre aqui, aconchegada no meu coração. 💛M.💛

Nós(,) da vida

Toda a nossa vida somos assolados por conflitos. Ora conflitos interiores, na descoberta de quem somos ou de quem desejamos ser. Ora conflitos exteriores, nas dualidades da própria existência humana. A Vida e a Morte. O Bem e o Mal. O Certo e o Errado. A Fé e o Cepticismo. A Esperança e a Resignação. A Alegria e a Dor…

E nós teimamos, durante toda a nossa existência – porque assim nos ensinaram, e já assim foram ensinados os nossos pais e avós e bisavós – , a seguir e abraçar com garra (e real gana) a Vida e o Bem e o que é Certo, com muita Fé e Esperança e perseguimos a Alegria que mordemos com todos os nossos dentes… E somos ensinados para nos mantermos afastados da Morte, do Mal que circula pelo mundo, do que está Errado, do Cepticismo e da Resignação, porque tudo isso nos provoca Dor. E nós não queremos sentir dor. Porque fomos ensinados assim.

Somos castigados, punidos e até muitas vezes (tantas) humilhados, porque o caminho que devíamos seguir não era esse. Não devia ser esse. Não podemos ser más pessoas, nem sequer ter maus pensamentos. O melhor até é escondermo-nos nalgum buraco que encontremos pelo caminho e deixar passar “essa fase”.

E lá vamos nós, passando o dia a dia, como se projetássemos uma casa que nunca será nossa, fingindo viver ou vivendo fingindo. A nossa casa é a nossa vida. É nela que moramos a vida inteira, presos (ou livres?) neste corpo (espírito) que temos. Se fingimos não ter dor, não a teremos sempre permanente em nós? E se perseguimos a felicidade, seremos sempre tão perfeitamente felizes? Estaremos sempre errados, ou será que é certo o que fazemos?

Não, não e não.

Não somos perfeitos. Se o fossemos, não seríamos humanos mas uma divindade daquelas que estudamos nos livros de História. Todos temos um lado sombrio. E é preciso abraçar esse lado para se perceber a nossa Luz. Nada é eterno e tudo acontece porque sim.

Abraça-te. Aceita. E vive.

Abraço-me. Aceito. E nesta liberdade, Aqui e Agora (neste aqui e agora tão frequente), reconheço. Não, não sou perfeita, mas aceito-me. Perfeitamente imperfeita. Mais perfeita do que Ontem fui. Em evolução. Iluminada (a luz ainda não preenche todas as sombras do meu quarto, mas é um percurso contínuo). Esta paz, que me enche o peito, faz-me enfrentar os medos que me entrecortam o sono.

Façam o favor de serem felizes, sim… mas não se preocupem se não estiverem já aí. Respirem fundo, fechem os olhos, relaxem… pelo sim, pelo não, se estiver mesmo muito muito escuro, liguem o candeeiro – quem nunca precisou de uma muleta ou, neste caso, de um farol, que atire a primeira pedra (vá, também não é preciso atirar pedras, cada um que carregue as suas!!).

[pequena nota: isto até começou a ser escrito com alguma profundidade, mas algo se perdeu no entretanto da escrita… oh god…whatever… espremam as laranjas, bebam as pevides e deitem fora o sumo, porque se estavam à espera de conforto nestas palavras finais… já “fostes”… a vida é boa demais para estarmos apenas só num estado de espírito… baaam!  somos todos loucos, um tantinho assim de loucos, que nos dá aquele sal à vida que é preciso para saborear cada momento]

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