Nós(,) da vida

Toda a nossa vida somos assolados por conflitos. Ora conflitos interiores, na descoberta de quem somos ou de quem desejamos ser. Ora conflitos exteriores, nas dualidades da própria existência humana. A Vida e a Morte. O Bem e o Mal. O Certo e o Errado. A Fé e o Cepticismo. A Esperança e a Resignação. A Alegria e a Dor…

E nós teimamos, durante toda a nossa existência – porque assim nos ensinaram, e já assim foram ensinados os nossos pais e avós e bisavós – , a seguir e abraçar com garra (e real gana) a Vida e o Bem e o que é Certo, com muita Fé e Esperança e perseguimos a Alegria que mordemos com todos os nossos dentes… E somos ensinados para nos mantermos afastados da Morte, do Mal que circula pelo mundo, do que está Errado, do Cepticismo e da Resignação, porque tudo isso nos provoca Dor. E nós não queremos sentir dor. Porque fomos ensinados assim.

Somos castigados, punidos e até muitas vezes (tantas) humilhados, porque o caminho que devíamos seguir não era esse. Não devia ser esse. Não podemos ser más pessoas, nem sequer ter maus pensamentos. O melhor até é escondermo-nos nalgum buraco que encontremos pelo caminho e deixar passar “essa fase”.

E lá vamos nós, passando o dia a dia, como se projetássemos uma casa que nunca será nossa, fingindo viver ou vivendo fingindo. A nossa casa é a nossa vida. É nela que moramos a vida inteira, presos (ou livres?) neste corpo (espírito) que temos. Se fingimos não ter dor, não a teremos sempre permanente em nós? E se perseguimos a felicidade, seremos sempre tão perfeitamente felizes? Estaremos sempre errados, ou será que é certo o que fazemos?

Não, não e não.

Não somos perfeitos. Se o fossemos, não seríamos humanos mas uma divindade daquelas que estudamos nos livros de História. Todos temos um lado sombrio. E é preciso abraçar esse lado para se perceber a nossa Luz. Nada é eterno e tudo acontece porque sim.

Abraça-te. Aceita. E vive.

Abraço-me. Aceito. E nesta liberdade, Aqui e Agora (neste aqui e agora tão frequente), reconheço. Não, não sou perfeita, mas aceito-me. Perfeitamente imperfeita. Mais perfeita do que Ontem fui. Em evolução. Iluminada (a luz ainda não preenche todas as sombras do meu quarto, mas é um percurso contínuo). Esta paz, que me enche o peito, faz-me enfrentar os medos que me entrecortam o sono.

Façam o favor de serem felizes, sim… mas não se preocupem se não estiverem já aí. Respirem fundo, fechem os olhos, relaxem… pelo sim, pelo não, se estiver mesmo muito muito escuro, liguem o candeeiro – quem nunca precisou de uma muleta ou, neste caso, de um farol, que atire a primeira pedra (vá, também não é preciso atirar pedras, cada um que carregue as suas!!).

[pequena nota: isto até começou a ser escrito com alguma profundidade, mas algo se perdeu no entretanto da escrita… oh god…whatever… espremam as laranjas, bebam as pevides e deitem fora o sumo, porque se estavam à espera de conforto nestas palavras finais… já “fostes”… a vida é boa demais para estarmos apenas só num estado de espírito… baaam!  somos todos loucos, um tantinho assim de loucos, que nos dá aquele sal à vida que é preciso para saborear cada momento]